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terça-feira, 21 Fevereiro, 2017 - 12:37

Hotelaria explora novo eixo na região

Os números positivos da economia brasileira e regional até 2012 impulsionaram a ampliação da rede hoteleira de Campinas e região. Empreendimentos que começaram a ser erguidos há dois ou três anos estão sendo entregues agora.

A estimativa é que entre 2014 e 2019 a capacidade de unidades habitacionais oferecidas na cidade e na região cresça mais de 50%. Há três anos, a rede tinha 4.962 quartos e a projeção é que chegue a 7.520 unidades quase na virada da década.

Cidades de médio porte, no eixo das rodovias Anhanguera, Bandeirantes e Santos Dumont, e com influência da atividade logística do Aeroporto Internacional de Viracopos, passaram a ser a bola da vez.

Campinas também recebe um grande fluxo de investimentos no setor. O foco é, principalmente, o público de negócios com hotéis com serviços que atendam a demanda do viajante que vem a trabalho.

Novos conceitos de hospedagem estão sendo implantados com empreendimentos que oferecem a infraestrutura de um hotel, mas com facilidades como lavanderia compartilhada. Os empresários sabem que agregar comodidades é um diferencial em um mercado cada dia mais competitivo.

O diretor de Hotelaria do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau, Douglas Marcondes, afirma que, entre os anos de 2009 e 2012, muitos projetos foram concebidos em um momento no qual a economia brasileira era a bola da vez.

“A região de Campinas vem atraindo muitos investimentos na rede hotelaria e vários dos empreendimentos cujos projetos surgiram naquela época estão entrando em operação agora”, diz. Ele ressalta que em 2016 foram colocados no mercado regional cinco novos empreendimentos em um total de 751 quartos.

Marcondes comenta que as cidades localizadas próximas aos eixos logísticos como as rodovias dos Bandeirantes, Anhanguera e Santos Dumont, e na área de influência do Aeroporto Internacional de Viracopos, passaram a receber atenção especial dos empresários do setor.

“Registramos a instalação de hotéis em cidades como Indaiatuba, Hortolândia e Americana. Também há projetos em Valinhos e Vinhedo. O formato é focado no atendimento do público corporativo. Com a ampliação do aeroporto e o crescimento da região, muitas empresas se instalaram em cidades de médio porte e é preciso atender o público que viaja para esses locais”, analisa.

O executivo diz que não há uma estimativa de quantos milhões estão sendo investidos em novos hotéis em Campinas e região. Entretanto, ele aponta que os recursos são aplicados por redes locais e investidores nacionais.

Na lista citada por Marcondes, há empreendimentos com bandeiras regionais, nacionais e internacionais. No período entre 2014 e 2019, o diretor detalha que Campinas e região vem ganhando novidades de nomes como Vitória Hotel, Royal Palm Plaza, Blue Tree, Radisson Red, Ibis, Bourbon e Ramada.

Até 2019, o crescimento no número de leitos será de 51,55%. Marcondes diz que a implantação de novos empreendimentos também vem acompanhada do fechamento de negócios que não se alinhem às demandas atuais do mercado.

“A modernização da infraestrutura, gestão e dos serviços prestados é um fator para garantir a manutenção do empreendimento. É necessário ficar atento às novidades como a economia colaborativa”, afirma.

Aposta

Experiente no mercado hoteleiro de Santos, o empresário Fábio Rodriguez decidiu investir em Campinas no ano passado. “Criei a marca Mr. Hostel, que é um hotel, mas com a comodidade da economia compartilhada oferecida por um hostel. Temos 30 suítes privadas e dois quartos compartilhados”, explica.

Rodriguez diz que há um quarto compartilhado para o público feminino com capacidade para até dez pessoas. A outra unidade é para os homens e pode hospedar até oito pessoas.

“Nas suítes privadas podem se hospedar até três pessoas. A copa é compartilhada. A diária inclui o café da manhã. Oferecemos o conforto de um hotel, mas o custo é competitivo”, comenta o empresário, lembrando que a localização do hostel é um diferencial.

“Fica na Avenida Moraes Salles, na região do Cambuí. O empreendimento é direcionado para o público de negócios que é o maior fluxo em Campinas”, aponta. Ele diz que o valor da diária (inclui café da manhã e estacionamento) depende da sazonalidade, mas que, atualmente, é de R$ 69,90 para a cama no quatro compartilhado. Na suíte privada, o valor varia de R$ 109,90 a R$ 159,00, conforme a quantidade de hóspedes no apartamento. Rodriguez investiu R$ 1,5 milhão e contratou oito pessoas.

Mais um produto que será inaugurado no Cambuí é o I am Design Flat Residence Cambuí. O hotel terá 82 apartamentos com facilidades como geladeira, lava-louça e micro-ondas.

“O hotel vai oferecer aos hóspedes comodidades que não são comuns nos hotéis tradicionais, como uma lavanderia compartilhada. Um outro diferencial será o restaurante que vai se consolidar como um referencial no mercado gastronômico de Campinas e região”, diz o gerente regional São Paulo da rede Hoteleira Brasil, Philippe Patay. A empresa será a responsável pela administração do hotel, cuja abertura está prevista para o início de maio.

Na Avenida Aquidabã está em construção, no complexo Midtown Aquidaban, uma unidade do Ibis Budget que terá 272 apartamentos. As obras deverão ser concluídas no primeiro semestre de 2018. 

Mercado não ficou imune aos efeitos da crise

Assim como outros setores da economia, o ano de 2016 foi complicado para a hotelaria de Campinas e região. Dados do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau apontam que a ocupação média em empreendimentos da categoria econômica (foco no custo e benefício) caiu de 60,13% em 2015 para 49,20% no ano passado.

O valor da tarifa baixou de R$ 183,90 para R$ 178,25. Na categoria midscale (com mais serviços), a taxa passou de 56,65% para 50,33%. Mas a tarifa média subiu 7,86%. O valor aumentou de R$ 288,06 para R$ 295,93.

O diretor de Hotelaria do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau, Douglas Marcondes, afirma que o cenário do ano passado foi influenciado parte pela crise econômica que impactou o País e a outra pelo mercado que ampliou as opções de hospedagem.

“O mercado passa hoje por um crescimento de empreendimentos. Os investimentos foram decididos quando a economia brasileira tinha projeções de forte crescimento. Mas a conjuntura hoje é bem diferente. Os números mostram queda da ocupação no ano passado. Esperamos por uma melhora neste ano" , analisa. Marcondes diz que o cenário negativo de 2016 também teve reflexo sobre o emprego.

“O setor, assim como outros segmentos, demitiu trabalhadores. Tivemos ainda o fechamento de hotéis mais antigos e tradicionais. A crise afetou muito as empresas que reduziram a realização de eventos e também as viagens de negócios dos profissionais. Campinas e região tem um foco forte no turismo de negócios”, salienta.

Fonte: Correio Popular