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segunda-feira, 18 Outubro, 2010 - 22:00

Viracopos 50 anos - Decreto de 1946 deu impulso ao futuro aeroporto

O major Lysias Rodrigues morreu em 1958, antes de ver Viracopos ser transformado em um aeroporto internacional. Com a derrota dos paulistas na insurreição contra o governo Vargas, em 1932, o campo de pouso caiu no esquecimento até 1946. Não há relatos do que aconteceu com a área durante esses 13 anos. Mas, depois de anos de ostracismo, o prefeito Joaquim de Castro Tibiriçá assinou o Decreto n 111, em 10 de janeiro de 1946, desapropriando cerca de 200 alqueires (4.375.982 metros quadrados) para que passassem à municipalidade. Na época, os proprietários receberam cem réis pelo metro quadrado.

A obstinação do prefeito Tibiriçá em transformar o antigo campo de pousos em aeroporto surgiu antes dele ocupar o cargo no Executivo municipal. Quando vereador, o político encaminhou vários projetos para que uma destinação fosse dada à área. Mas só depois de ter o poder de principal autoridade da cidade é que pôde, de fato, mudar os rumos da pista de terra no bairro de Vira-Copos.

Logo após conseguir as faixas de terra do campo de pouso e nas proximidades, o prefeito determinou a abertura e compactação das primeiras pistas. O governo de Tibiriçá executou também obras para melhorar as condições da estrada que ligava a cidade ao aeroporto.

O primeiro pouso oficial no local foi realizado em 1946 por uma aeronave Douglas DC-3, de prefixo PP-IBB, da pioneira Empresa Central Aérea Ltda., que servia a rota Rio de Janeiro-Campinas-Botucatu-São Paulo.

O espaço para a aterrissagem tinha 1,5 mil metros de comprimento e 60 metros de largura. O terminal de passageiros era um barracão de madeira com pouco espaço e nada de conforto. Não havia telefone nem água no local.

Faróis

A partir de julho de 1946, os caminhões-pipas da Prefeitura levavam água potável à área de Viracopos nos dias em que estavam previstos pousos de aeronaves. Para que os aviões descessem no aeroporto, os motoristas de Campinas eram convocados pelo rádio para que comparecessem ao local e ajudassem a iluminar a pista com os faróis dos carros. A medida servia para sinalizar ao piloto a largura e comprimento da pista. Na época, as únicas linhas regulares eram domésticas e o campo de pouso do bairro Vira-Copos se consolidava como uma alternativa para essas aeronaves. A situação permaneceu inalterada praticamente até o final da década de 50.

A disputa que se seguiu entre paulistanos e campineiros pelo tráfego aéreo foi resolvida em 1963, quando o Departamento de Aeronáutica Civil (DAC) cancelou todas as operações de aviões a jato no Aeroporto de Congonhas, fazendo de Viracopos o único terminal apto a receber todas essas aeronaves.

A insatisfação dos moradores da vizinhança de Congonhas com o barulho dos aviões que transitavam sobre as casas com cada vez mais frequência, fez com que os pousos e decolagens fossem transferidas para Campinas. Para receber melhor essa nova demanda, na segunda metade da década de 60, houve a construção de um segundo pátio de manobras em Viracopos, a ampliação do terminal de passageiros e da pista de pouso. Isso acabou intensificando o desenvolvimento do transporte de cargas no local, que viria a se tornar o maior terminal do Brasil.

A partir de 1968, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) passou a administrar o Terminal de Carga Aérea de Campinas (Teca) e, em 1980, recebeu do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) a responsabilidade da administração geral do Aeroporto Internacional de Viracopos.

Origem do nome do terminal é contada em duas versões

Falar sobre a origem do nome Viracopos merece um capítulo à parte. Seja como conhecemos hoje ou na grafia antiga, Vira-Copos, ele guarda diferentes versões sobre como surgiu. Um padre nervoso ou o encontro de tropeiros podem ter inspirado a forma como hoje é denominado o aeroporto internacional.

De acordo com um levantamento feito pela Infraero, existem duas versões para a origem do nome Viracopos. A primeira, diz a empresa, conta que no início do século surgiu um desentendimento entre o pároco do bairro e seus habitantes numa noite de festa. Houve bebedeiras e brigas, que resultaram na quebra das barracas da quermesse da igreja, derrubadas durante a confusão. A palavra usada pelo padre nos sermões, para se referir ao acontecimento era “viracopos”.

Outra versão conta que no local hoje ocupado pelo aeroporto havia um bar onde tropeiros se encontravam para “virar copos”, descansar e trocar informações sobre viagens.

Arruaça

No livro Não Erre Mais, da editora Harbra, o autor e professor Luiz Antônio Sacconi aponta que o nome Vira-Copos identificava uma zona de meretrício, um local de “arruaça e baderna”, onde todas as noites eram viradas mesas e copos.

Tragédia de 1961 deixou 52 mortos logo após a decolagem

Na madrugada de 23 de novembro de 1961, um desastre ocorrido com um jato Comet 4, prefixo LV-AHR, matou 52 pessoas — 40 passageiros e 12 tripulantes — no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. Era o voo 322 da companhia Aerolineas Argentinas.

A aeronave vinha de Buenos Aires e fez uma escala em Campinas. Logo depois, seguiria para Trinidad e Tobago, no Caribe.

Durante a decolagem, por volta das 3h30, o avião estava sob o comando do copiloto. Ainda sem muita experiência, ele era orientado pelo piloto, sentado ao lado. Problemas com os motores durante o procedimento de decolagem fizeram a aeronave ficar descontrolada e perder altitude rapidamente. Depois de abrir uma clareira de

400 metros pelo arvoredo, o avião foi se despedaçando e acabou batendo em um aclive do terreno, onde explodiu. O acidente ocorreu na área do Sítio da Lagoa, nas imediações do Cemitério dos Alemães, no bairro Friburgo.

O fotógrafo aposentado Neldo Cantanti, hoje com 74 anos, registrou a tragédia para o Diário do Povo pela manhã. “Era um amontoado de ferro retorcido e a gente pisava na terra queimada. Ainda chovia muito. Só sobraram a cauda e as turbinas. Não dava para ver os corpos”, lembra.

Durante a cobertura, uma história de muita sorte. Cantanti conta que um dos passageiros perdeu o voo porque o taxista demorou no trajeto. “O cara queria agredir o motorista. Ele tinha uma reunião muito importante e iria perder. Minutos depois, com a notícia da queda do avião, o mesmo cara queria beijar o taxista que salvou sua vida”, conta.

Barriga

No dia 30 de agosto de 2002, um Fokker 100 da TAM precisou realizar um pouso forçado — de barriga — em Viracopos. A aeronave estava com 48 passageiros e ninguém se feriu. Houve problemas no trem de pouso. O voo 3499 havia saído de Salvador e rumava para o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Segundo a imprensa informou na ocasião, os passageiros continuaram seus destinos de táxi.

Cargas marcam retomada no cenário nacional

No início da década de 80, a Infraero passou a ser responsável pela administração geral de Viracopos, após assumir o seu terminal de cargas. Com a inauguração do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em 1985, Viracopos perdeu a maioria dos seus voos e teve sua movimentação operacional reduzida drasticamente. A retomada veio em 1992 com um segmento até então pouco significativo no aeroporto: a movimentação de carga internacional.

Com a abertura dos mercados financeiros e a instalação de empresas de tecnologia de ponta na região de Campinas, a movimentação das importações por Viracopos passou a apresentar recordes sucessivos em tonelagem de mercadorias.

Com isso, ainda em 1995, a Infraero voltou a investir no sítio aeroportuário campineiro. Entre 1995 e 2008, foram mais de R$ 300 milhões de investimentos em infraestrutura e tecnologia que beneficiaram os segmentos de carga e passageiros. Foi construído um novo terminal de carga, nova torre de controle — a maior do Brasil — e o terminal de passageiros foi triplicado e modernizado.

O Plano Diretor do aeroporto foi revisado para que Viracopos possa se tornar o maior complexo aeroportuário da América do Sul dentro de 20 anos, com a operação de três pistas de pousos e decolagens.